História

Placa de Inauguração

A presença de um edifício com as características do Cineteatro Messias, numa cidade como a Mealhada, demonstra o empenho e espírito empreendedor do seu grande impulsionador, o Comendador Messias Baptista.

Sentidas as dificuldades em encontrar na Mealhada um espaço onde pudessem ter lugar manifestações recreativas e culturais, dado o estado de degradação em que se encontrava o Teatro Mealhadense, e, perante a impossibilidade de suportar os custos de um novo edifício, foi a faceta de benemérito deste industrial da Mealhada que permitiu a construção de uma obra de tamanha grandeza.

Tirando partido da sua influência e relacionamento com os melhores arquitetos que projetavam as grandes obras da época, deixou o projeto a cargo do consagrado arquiteto Raul Rodrigues Lima, com larga experiência em edifícios desta natureza, de que são exemplo o Teatro Micaelense, o Teatro Avenida de Aveiro, o Império de Lagos e o emblemático Monumental de Lisboa.

Inaugurado a 18 de janeiro de 1950 pelo então presidente da Câmara Municipal da Mealhada, Dr. Manuel Louzada, juntamente com o Comendador Messias Baptista, este edifício considerado por muitos como um exemplo fiel da corrente estética que interiorizava as politicas culturais do Estado Novo.

Apresentando linhas "ex-modernistas, telhados piramidais mas suaves, pináculos de pedra, grelhas de tijolo e grandes varandins de ferro forjado", o Cineteatro Messias demonstra ainda uma grande preocupação de enquadramento urbano na medida em que, como imóvel de gaveto, não obriga a alterações nos traçados existentes.

As características inovadoras do edifício são evidentes também também nos elementos decorativos escolhidos para o interior: nos candeeiros, nas cadeiras, nas cores e nos materiais de revestimento.

Claramente "modernista" é, também, a forma como foram distribuídos os diferentes espaços que compõem o Cineteatro Messias. Surgem, como é característico nas obras de Rodrigues Lima, dois bares distintos, um no piso térreo e outro no foyer do 1.º piso, junto ao balcão, que pretendiam servir públicos de diferentes níveis sociais. Do mesmo modo se explica a presença de dois espaços diferenciados de instalações sanitárias, localizando-se um no piso térreo e outro no 1.º piso.

Com uma capacidade inicial superior aos 500 lugares sentados, o Cineteatro Messias dispunha ainda de um palco de boas dimensões para a atuação de companhias de Teatro, de tela para projeção de cinema e ainda de salas e salões que permitiam a realização de diferentes eventos.

Inúmeras e gratificantes são as memórias que tantos mealhadenses guardam dos tempos áureos deste Cineteatro, por onde passaram grandes companhias nacionais de teatro e de revista.

Também os "atores" e as companhias teatrais "locais" marcavam presença neste espaço, quase sempre em representações que visavam fins de beneficência em prol de uma instituição do município da Mealhada.

Após o encerramento deste edifício por razões de segurança no final dos anos 80, o concelho da Mealhada ficou privado de um espaço com tamanha dignidade e de inegável valor arquitetónico, histórico e cultural.

O edifício manteve-se em ruína até 2000, altura em que a Câmara Municipal da Mealhada chamou a si a tarefa de reabilitar e recuperar o Cineteatro Messias, como forma de lhe devolver o "brilho e a glória" de outros tempos.

Neste sentido a Câmara Municipal da Mealhada estabeleceu um acordo com a família Messias, sendo concedido ao município o direito de superfície por 55 anos renováveis.

O edifício foi totalmente remodelado e dotado dos meios técnicos necessários. O auditório dispõe de plateia e balcão e mantém a traça original. O Cineteatro Messias foi (re)inaugurado em outubro de 2001, pelo ministro da Cultura, Prof. Doutor Augusto Santos Silva.

Desde então tem apresentado uma programação regular, constituída mensalmente por várias produções no domínio das artes do espetáculo (teatro, música e dança), complementado pela existência semanal de cinema. Frequentemente também são organizados congressos, colóquios e seminários e exposições.